Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Porque é que eu te odeio tanto.

Odeio-te porque fazes a minha cabeça ser uma multidão a falar tão alto, que não consigo ouvir nada da multidão que vai na minha cabeça.

 

Porque fazes com que nenhuma das vozes da minha cabeça fale suficientemente alto para que eu a consiga entender.

 

Odeio-te porque me fizeste convencer a mim própria vezes sem conta que não me importo, pensando sempre que desta vez não me importo, mas importando-me sempre.

 

Odeio-te porque não me dás tempo suficiente para deixar de me importar aparecendo sempre que acho que estou quase a não me importar.

 

Odeio-te porque me tornaste fria e racional em todos os momentos da minha vida menos nos teus momentos, quando não consigo ser racional em momento algum.

 

Porque me deixaste fria e seca por dentro, porque deixaste o meu quintal infértil a sentimentos, porque depois de ti não há nada, porque antes de ti não foi importante, porque tu és o marco do meu antes e depois de tudo!!!

 

Odeio-te porque nem odiar-te consigo, nem amar-te nem sentir nada ou deixar de sentir.

Apenas não sei… Porque depois de ti é deserto e nada.

 

Odeio-te porque em três anos, Guemil, três anos, vivi fora do meu corpo fora do meu tempo a não te enfrentar para reunir energias suficientes para te enfrentar e quando te enfrentei ainda não era o momento, e não sei se esse momento chegará.

 

Porque três anos eram tempo suficiente!

 

Porque vivi três anos como se fossem três dias, cada um igual ao outro, porque construí um mundo de segurança á minha volta para desabar tudo sempre que apareces.

 

Porque me tremem os joelhos.

 

Porque fico pequena, tão pequena…

 

Porque encheste o meu coração de ternura genuína quando te encontrei e te devia odiar.

 

Porque apesar de teres tirado todo o chão do meu mundo e este ter desabado no momento seguinte eu segurei o céu para que tu pudesses passar e tu saíste.

 

Não voltaste para reconhecer o meu cadáver!

 

Odeio-te porque depois de ti não há sentimento. Há lógica, razão e justiça e em ti apenas há sentimentos.

 

Quisera eu que tu fosses lógica, razão e justiça…

 

Odeio-te porque ainda sacudo a cabeça com tudo o que tem a ver contigo.

 

Odeio-te quando fico contente por ter tido coragem de passar numa rua sem olhar à volta fingindo que não me importa se me cruzo contigo, fingindo que nem penso nisso e quando me sento a descansar sorrio, porque consegui deixar de me importar, importando-me.

 

Odeio-te porque nunca deixo de me importar.

 

Odeio-te porque nem assim te consigo dizer porque te odeio…

 

Odeio-te porque me fizeste sentir que eras uma poltrona velha, confortável e sábia, e deixaste-me sem chão quando realmente devia poder sentar-me.

 

 Porque em todos os momentos me preocupei contigo, com os teus direitos, com a tua vida, e quando sabias que era a minha que estava em jogo nem pestanejaste…

 

Porque não tens carácter, não tens brio, não tens princípios, não tens nada de bom para me dar!

 

Porque apareces assim num pestanejar, quando eu não queria que aparecesses mais, mas não consigo deixar de pensar quando voltarás a aparecer.

 

Foram precisos mais de três anos para apagar três miseráveis mensagens do meu telefone, três cartões, um sem número de telemóveis. E tu apareces outra vez….

 

Odiar-te-ei se não voltares a aparecer!!!

 

Odeio-te porque em tempos acreditei que existia tanto, tanto, e tu sem dó nem piedade, sem olhar para trás, fizeste-me perder tudo, tudo…

 

A ingenuidade, a capacidade de acreditar, a capacidade de dar, a capacidade de receber, a capacidade de construir, de falar, de abrir o coração de ter um coração.

 

Porque os 23 anos antes foram tão ingénuos, e os 4 anos depois tão frios…

 

Odeio-te porque me deste razões suficientes para te odiar e eu nem odiar-te consigo.

 

Odeio-te porque nem as palavras parecem ser suficientes, porque nem dizer porque te odeio parece ser importante.

 

Porque nem sei se te odeio, Guemil!!!

 

Porque me roubaste a alma!

 

Guemil, o ladrão de almas… Odeio-te porque continuas a ser o melhor de mim.

 

Vânia


suspirado por barbaletasguerreiras às 13:52
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3 comentários:
De barbaletasguerreiras a 11 de Janeiro de 2007 às 05:30
Cabummmm!!!!


beijo

M.M.


De conde a 15 de Janeiro de 2007 às 12:12
gostei bastante do teu texto. como eu te percebo...


De Rita a 26 de Abril de 2007 às 20:23
Vânia, esta tua prosa intitulada Porque é que eu te odeio tanto" deixou-me sem palavras... Mas em contrapartida, as lágrimas que me caem pelo rosto falam por mim.
Queria apenas mandar-te um beijinho e dizer-te que não está sozinha no meio do nada e do tudo.
Rita


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